Gráficos, como usar?

Gráficos, como usá-los corretamente? (parte 3)

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Gráficos, como usar?

Gráficos, como usá-los corretamente? (parte 3)

Cada tipo de gráfico tem uma utilização específica. Alguns são melhores para se identificar padrões, uns para comparações, outros para se percebem a tendências ao longo do tempo. Importante ressaltar antes de se definir por qualquer tipo de gráfico: o que causa impacto é a clareza da informação, não as alegorias da imagem.

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Gráficos, como usá-los corretamente? (parte 2)

Gráfico é informação, não decoração Um gráfico é um elemento de informação, não decoração. Deve compor o argumento explicativo do autor em um texto. Deve fazer sentido para o leitor. Por isso, as duas primeiras regras a serem observadas para a construção de um gráfico devem ser a clareza e a coerência. Clareza A clareza está diretamente … Continue lendo Gráficos, como usá-los corretamente? (parte 2)

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Gráficos, como usá-los corretamente? (parte 1)

Uma imagem vale mais do que mil palavras?1 Uma imagem mal apresentada tem o potencial de gerar muita confusão, mesmo quando seguida de um texto lúcido. Gráficos tornaram-se indispensáveis para a análise de dados. Saber como construir visualmente uma explicação baseada em dados requer conhecimento e discernimento.

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Nem tudo acaba em pizza!

Cada tipo de gráfico tem uma utilização específica. Alguns são melhores para se identificar padrões, uns para comparações, outros para se percebem a tendências ao longo do tempo. Importante ressaltar antes de se definir por qualquer tipo de gráfico: o que causa impacto é a clareza da informação, não as alegorias da imagem. Um gráfico surpreende as pessoas não por ser visualmente agradável, mas por revelar de forma direta e clara informações que fazem sentido.

Os gráficos começaram a ser utilizados no final do século XVIII e início do século XIX. O trabalho de William Playfair “The Commercial and Political Atlas and Statistical Breviary”1, publicado em 1785, apresenta pela primeira vez em uma publicação os gráficos de linhas, barras e pizza.

w:Florence Nightingale (1820–1910). [Public domain], via Wikimedia Commons

Diagram dated 1858 by Florence Nightingale of a colored pie chart to illustrate causes of death in the British Army. – Wikimedia Commons

Ao longo do século XIX, vários autores adaptaram e desenvolveram novos recursos visuais para a exposição e análise de dados. Uma autora de destaque foi Florence Nightingale2, que em 1858 criou o gráfico gráfico polar (um histograma circular) para demonstrar que as mortes de soldados britânicos na Guerra da Crimeia ocorriam mais por falta de cuidados nos hospitais do que pelos ferimentos recebidos em combate.

O problema da escolha inadequada

Um gráfico inadequado dificulta a análise e impede a construção de argumentos claros. Por exemplo, gráficos de pizza (torta ou setores) são muito utilizados e costumam ser a primeira opção de quem começa a fazer análise de dados, principalmente quando o objetivo é montar uma apresentação ( powerpoint ).

Mas esse tipo de gráfico tem um uso bem específico. Tem por objetivo mostrar a proporção de partes (categorias) em relação a um todo. Não serve para comparar variáveis ou mostrar correlações. Mesmo para mostrar proporções, um gráfico de pizza tem limitações. Deve haver uma diferença muito evidente entre as categorias para o gráfico fazer sentido.

Vejamos o exemplo abaixo: três gráficos em formato de pizza que mostram a proporção entre cinco categorias, cada uma representada por uma cor. Esses gráficos poderiam representar, por exemplo, a intenção de voto de cinco candidatos (candidato 1, 2, 3, 4 e 5), captada em uma enquete para eleição presidencial em três cidades (A, B e C).

Gráficos de setores – fonte Wikipedia.

Qual candidato tem mais voto em cada cidade?

Difícil dizer. A impressão que se têm, olhando o gráfico acima, é que os dados são muito semelhantes.

Mas se observarmos os mesmo dados em um gráfico de barras, conforme a figura abaixo, podemos ver claramente a diferença.

Comparação de gráficos de setores e barras – fonte Wikipedia.

Os dados são os mesmos, mas a apresentação no gráfico do tipo pizza não permite a identificação das diferenças como no gráfico de barras.

O uso adequado do gráfico

Especialistas em análise visual de dados, como Edward Tufte 3, até sugerem que os gráficos de pizza sejam evitados. Mas o problema não está no tipo de gráfico em si e sim no uso inadequado da informação visual.

Para um exemplo de como o gráfico de pizza pode adequadamente ser utilizado, vamos ver concentração de renda no Brasil com base nos dados do Imposto de Renda da Receita Federal4

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