comparação entre tipos de gráficos de barra

Gráficos de barras, qual é a melhor opção?

A escolha não deve ser aleatória

A escolha de um gráfico não pode se basear na atração estética da imagem. Deve ter como foco a capacidade explicativa dos dados. O impacto visual que todo gráfico desperta deve ser direcionado para proporcionar mais clareza ao texto e não o contrário. Exatamente por esse poder atrativo que as imagens possuem, quando se faz um uso incorreto dos gráficos, o resultado é a multiplicação da desinformação. Infelizmente, tem crescido o mal uso da infografia em textos publicitários, comerciais, acadêmicos, jornalísticos. Nem sempre se trata de má intenção ou manipulação intencional dos dados. Percebe-se que o desconhecimento e a empolgação com a variedade de opções são a causa mais comum dos gráficos mal ajambrados.

Opções do gráfico de barras e colunas no Excel
Opções do gráfico de barras e colunas no Excel

A facilidade para gerar um gráfico hoje em dia é grande. Na maioria dos programas, basta clicar para transformar uma tabela em um gráfico bonito, colorido e tridimensional. Contudo, quem vai clicando em botões sem saber o que está fazendo acaba produzindo mais confusão do que informação. Por isso é que a escolha do gráfico deve ser pensada analiticamente. O uso aleatório de um gráfico tem mais potencial para distrair e entediar os leitores, do que de atrair-lhes a atenção.

O fato é que os gráficos sempre causam impacto, seja positivo ou negativo. Para evitar os efeitos negativos, é importante conhecer como cada tipo pode destacar as diferenças, identificar correlações ou ressaltar a ocorrência de padrões em seus dados.

Gráficos de barra estão entre os mais utilizados e também são mais recomendados do que gráficos de pizza para a maioria das situações. As formas circulares são preferíveis às barras somente quando houver 4 categorias ou menos, os valores forem extremos (exemplo uma categoria tem 75% do total e as demais 25%) e se o objetivo for mostrar como as partes são bem ou mal distribuídas em relação ao todo. As barras são mais indicadas para os demais casos, principalmente quando as categorias possuírem valores muito próximos umas das outras.

Barra ou coluna?

Os gráficos de barra podem se apresentar com as faixas na horizontal ou na vertical. Alguns programas de análise de dados, como o Microsoft Excel, denomina gráfico de coluna quando as barras estão na vertical. Essa nomenclatura não é padronizada. Aqui vamos tratar pelos termos mais comumente usados: gráficos de barra vertical (gráfico de colunas no Excel) ou horizontal (gráfico de barras no Excel).

barras verticais

barras verticais (colunas)

barras horizontais

barras horizontais

Um gráfico de barras horizontais deve ser usado quando as legendas das categorias formarem nomes muito grandes e os dados estiverem ordenados. Isso porque, as legendas grandes ficam truncadas ou inclinados de modo ilegível em um gráfico de barras vertical. Nos demais casos, o gráfico de barras verticais (colunas) é mais recomendado.

[su_spoiler title=”Exemplo de um gráfico de barras horizontais.” style=”fancy” icon=”plus-square-1″]
Gráfico 1 – Graduados em Sociologia e Estudos Culturais por Porcentagem de Ocupação, Brasil – 2010

Fonte: IBGE, Censo Demográfico, 2010.
Notas: Os dados no gráfico correspondem a 70% da frequência acumulada. Os 30% restantes
correspondem a ocupações com menos de 1,25% de frequência.

Baltar, Ronaldo & Baltar, Claudia. (2017). A Sociologia como profissão. Revista Brasileira de Sociologia – RBS. 5. 10.20336/rbs.213.
disponível em: https://www.researchgate.net/publication/321714625_A_Sociologia_como_profissao
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Comparando as barras

No caso de haver mais de uma série de categorias, as barras devem ser empilhadas ou dispostas lado a lado?


No quadro acima, há uma tabela com dados do Censo Demográfico do IBGE sobre a religiosidade no Brasil de 1991 a 2010. A Tabela 1 apresenta os dados recuperados do SIDRA-IBGE com a informação da opção religiosa da população residente por ano de realização do Censo. Observando a tabela, vê-se a redução no número de católicos em relação aos evangélicos. Esse é um tema bastante abordado por analistas de diversas áreas.

[su_spoiler title=”Leia mais sobre a mudança no perfil da religiosidade no país.” style=”fancy” icon=”plus-square-1″]ALVES, J.; CAVENAGHI, S.; BARROS, L.; CARVALHO, A. Distribuição espacial da transição religiosa no Brasil. Tempo Social, v. 29, n. 2, p. 215-242, 8 ago. 2017.
disponível em: https://www.revistas.usp.br/ts/article/view/112180
[su_button url=” https://www.revistas.usp.br/ts/article/view/112180/130985″ target=”blank” style=”soft” background=”#9c0300″ icon=”icon: book” desc=”ir para página da revista”]Ler o artigo[/su_button] [/su_spoiler]

Qual gráfico permite uma apresentação com maior destaque das mudanças no perfil religioso nesse período? O Gráfico 4, com as barras dispostas lado a lado, mostra de imediato aos olhos do leitor a variação no perfil da religiosidade. O gráfico de barras sobrepostas, Gráfico 1, torna mais difícil de se destacar qual opção religiosa possui maior número de seguidores entre cada Censo. Nesse gráfico é fácil reparar que há mais católicos do que evangélicos, mas não fica nítido o crescimento de um grupo em relação ao outro.

Os gráficos de pizza (Gráficos 2 e 3) mostram essa variação com mais clareza do que o Gráfico 1. Contudo, não se observa tão facilmente no gráfico de pizza a variação mais sutil entre as demais religiões. O Gráfico 4 consegue em uma só imagem mostrar a mudança na proporção de evangélicos em relação aos católicos, mas também traz outra informação relevante para se estudar a religiosidade no país. Não apenas cresceu o número de evangélicos, mas também o de não religiosos (em todas as suas acepções).

A escolha do gráfico deve responder a seguinte pergunta: qual representação gráfica mostra de maneira mais imediata e inequívoca a diferença, o padrão ou a correlação entre meus dados?

A informação está na tabela. O gráfico não cria informação, se fizer isso está acontecendo alguma distorção. O Gráfico permite ressaltar uma informação.

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